Durante muito tempo tem sido levantada a questão em relação ao papel que Cristo exerce hoje como sumo-sacerdote e
mediador. Questões que poderiam ser resolvidas com simples perguntas como: "Porque o ministério de Jesus Cristo foi
tão curto neste planeta?" Apenas 3 anos e meio. Mesmo com a grande importância que teve a morte vicária de Cristo, será que todo o plano da redenção resume-se apenas em 3 anos e meio? Por que o autor de Hebreus revela que Cristo é sumo-sacerdote? O que fazia um sumo-sacerdote? O que tem isso haver com os seres humanos?
O grande ponto controverso contra os adventistas é justamente a questão sobre o que quer dizer o autor de Hebreus.
Vejamos os versos:
Hb 6:19-20 "A qual temos por âncora da alma, segura e firme e que penetra além do véu, onde Jesus,
como precursor, entrou por nós, tendo-se tornado sumo-sacerdote para sempre, segundo a ordem de Melquisedeque".
Hb 9:12 "Não por meio de sangue de bodes e de bezerros, mas pelo seu próprio sangue, entrou no Santo dos
Santos, uma vez por todas, tendo obtido eterna redenção".
Hb 10:19-20 " Tendo, pois, irmãos, intrepidez para entrar no Santo dos Santos, pelo sangue de Jesus,
pelo novo e vivo caminho que ele nos consagrou pelo véu, isto é, pela sua carne.
Muitos teólogos de nome, afirmam com base nos versos acima, que Jesus entrara no santíssimo já no ano 31 d.C, data de sua morte expiatória. Afirmam também que Jesus já ressuscitou como sumo-sacerdote, quando foi recebido no céu, assim, o fato de Hebreus nos dizer que entrou no santíssimo, ele então havia feito o dia da expiação, tendo em vista que quando o sumo-sacerdote entrava no santíssimo é porque era este dia. Se isso é verdade, então perde-se o valor para 1844. Os adventistas estão completamente enganados e tudo não se trata de heresias e equivocadas interpretações.
Muito bem... vejamos a explicação das coisas!
Todos os teólogos estão certos quando afirmam que no ano 31 d.C Cristo entrou no santíssimo e quando Jesus
ressuscitou como sumo-sacerdote, mas estão errados quando dizem ter começado o dia da expiação.
A primeira pergunta que faremos é: Quantas vezes o sumo-sacerdote entrou no santíssimo? Talvez você já tenha
respondido em sua mente dizendo: 1 vez, no dia da expiação! Lamento informar que você errou, ele entrou 2
vezes, preste muita atenção e acompanhe essa viagem!
A primeira vez que um homem entrou no santuário, ele não passava de uma simples tenda, não havia problema algum, pois não havia sido consagrado ainda, portanto, a primeira vez foi quando o sumo-sacerdote estava ungindo todo o santuário, seus utensílios e suas partes, para isso ele precisou entrar no santíssimo e ungir a arca do concerto. Era o dia da inauguração do santuário, da unção. Quando saiu de lá, depois de ter ungido, ai sim, não poderia mais entrar até que chegasse o dia determinado, dia esse que chamamos de expiação.
Para resolver todo esse embaraço é preciso atentar a uma única palavra que resolve todo o caso, Hb 10:19-20 onde diz "...pelo novo e vivo caminho que ele nos CONSAGROU pelo véu..."
Neste verso existe uma palavra que é a solução, ela se chama em grego (egkainizw = consagrar), esta palavra é usada não em conexão com a expiação mas com o dia da inauguração do santuário, ou unção.
Na LXX, esta palavra só aparece em dois lugares, e a outra vez é em Nm 7, mas o que é que há neste capítulo (Nm 7)? É exatamente a inauguração do santuário hebreu, ou seja, sua unção. O dia em que começaria a funcionar oficialmente.
Quando hebreus diz que ele ..."consagrou" pelo véu... quer dizer que Cristo no ano 31 d.c entrou no santíssimo
e inaugurou o santuário celestial, ou ungiu.
Em Dn 9:24 diz que Cristo foi "...para ungir o santo dos santos..."
Portanto a obra que Cristo como sumo-sacerdote foi fazer no ano de sua recepção no céu e entrada no santuário
celeste foi de inauguração e não de expiação, pois a mesma, iniciou-se apenas no ano de 1844, conforme as
profecias de Daniel, as 2300 tardes e manhãs.
Quando voltamos à LXX, compreendemos o significado desta palavra. Na Torah, aparece apenas em um único capítulo, em Nm 7:10, 11, 84, 88. Qual o contexto deste capítulo? A inauguração do santuário.
Quando vemos isto podemos nos alegrar, pois temos uma chave dentro do livro de Hb, que nos fala o que Cristo fez
quando entrou no santuário. Ele realmente entrou além do véu, no santíssimo. No entanto, o evento estava errado.
Não iniciou o Dia da Expiação, mas sim o Santuário Celestial foi inaugurado.
Ex 40:9 – Mostra que Moisés entrou no santuário e ungiu todos os móveis, inaugurando todos os compartimentos,
inclusive o santíssimo. O sumo sacerdote ainda não estava ungido, e por isso Moisés fez o serviço. Jesus é o antítipo tanto de Moisés como do sacerdócio.
Um homem chamado Dr. Desmond Ford usa Hb 9:12, onde o problema é "Ta hagia". Aqui são mencionados dois animais:
bodes e bezerros. Ford diz que estes dois animais só eram usados no Dia da Expiação, o que tornaria claro que é
referência ao Dia da Expiação. Este é o argumento do Dr. Ford.
Aqui são usados dois termos: “bodes” (tragos/grego e atud/hebraico) e “novilhos” (moskós).
Eram estes mesmos os dois animais oferecidos no Dia da Expiação? Utilizemos a LXX. Como ela traduz estas duas palavras? “Bode” é encontrado em Lv 16, mas a palavra usada para bode em Lv 16, é outra (Químaros/grego e sa’ir/hebraico), que é usada 13 vezes em Lv 16 e a outra nunca aparece em relação ao Dia da Expiação. A única vez em que a palavra de Hb é usada no Pentateuco aparece em Nm 7. No hebraico, também existem duas palavras para bode, e as ocorrências são exatamente as mesmas. Alguns sugerem que “tragos” era usado unicamente para o macho e químaros era genérico, podendo ser macho ou fêmea.
Creio que Cristo entrando no santuário, em sua inauguração, seja o cumprimento de Dn 9:24, onde deveria “ungir o
santo dos santos”. Antes do ano 34 o santíssimo deveria ser ungido (antes de terminar as 70 semanas). Hebreus está anunciando este cumprimento.
Antes da morte de Cristo, o povo era salvo pela fé num sacrifício que ainda ocorreria. A questão PROLÉTICA.
Após sua ressurreição, Jesus inicia, inaugura oficialmente o seu serviço no Santuário Celestial.
Ta Hagia - literalmente quer dizer “os santos” (neutro plural). A questão é: A que se refere isto em Hebreus?
É encontrado em 9:12 e 10:19.
Qual é o uso que a LXX dá a esta palavra? No BibleWorks, encontramos 109 vezes a palavra. Vendo o contexto, a
conclusão é que o termo é usado para todo o santuário, é um termo geral. NUNCA é usado em referencia ao Santíssimo.
3 vezes é usado para o lugar santo, e 106 vezes ao restante do santuário como um todo. O escritor de Hebreus
manteve-se fiel ao uso comum da palavra. Sendo assim, a melhor tradução para estes dois textos deveria ser
“santuário”, de uma forma geral, e não Santíssimo.
Uma perguntinha, qual era o trabalho de Jesus no 1o Século? Estava no Santíssimo? Estava purificando o Santuário
Celestial?
Não! Hb 7:25-27; 10:11-14; 13:10-12
Seu trabalho é a intercessão. O ministério do TAMID. O ministério do Santo. v.27 – Fica explícito o assunto.
Intercessão, diário/tamid, indicam claramente o ministério no lugar santo. E no futuro? Hebreus indica o julgamento
futuro 10:25-31 “O Dia”. O termo técnico para “o dia” é YOMA. O autor está advertindo para que continuem congregando,
pois o Dia da Expiação ainda estava no futuro. Para ele este ministério ainda não estava acontecendo.
V. 26 - Deixa isto claro. O julgamento é no futuro, e não no 1o século. Fogo vingador - Um juízo executivo.
V. 28 – Descrição do juízo legal, chamado de juízo investigativo pelos ASD, que ocorre antes do juízo executivo.
V. 30 – As pessoas envolvidas: O povo de Deus. Isto não aconteceu no 1o século. Era algo que ainda estava no futuro.
Outros dizem que não era o Sumo-Sacerdote quem inaugurava o santuário, mas foi Moisés. No entanto, Moisés foi um
tipo de Cristo.
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