Sábado

ID #1632

Segundo o teologo Dr. Samuelle (erudito adventista),os sabados de col 2:16 poder ser entendidos como o sabados semanais,porque os sabados cerimoniais ja estão incluídos na expressão "dias de festa".Sendo assim devido o verso 17 dizer que tudo isso são sombras, seria o setimo dia uma sombra, tornando o descanso do setimo dia abolido? Se não, qual o sentidos de sombras ?

Acho bastante interessante o fato de que nesta passagem as coisas se invertem, pois a maioria dos grandes teólogos posicionam-se dizendo que Cl 2:16 não pode estar falando sobre o sábado semanal, enquanto o erudito adventista (Dr. Sammuelle Bacchiochi) afirma que sim.

Acontece que o erudito adventista mostra que o argumento de que a referência de Paulo a “dias de festa”, “luas novas” e “sábados” (2:16), que são “sombra das coisas que haviam de vir” (vs. 17) . . . não indica realmente que Paulo está discutindo a lei de Moisés pregada na cruz. Paulo não está falando nada contra as observâncias dessas práticas, e sim contra quem quer que passe julgamento sobre o comer, beber e observar os tempos sagrados.

A grosso modo diz: [ninguém pois julgue] e não [ninguém pois guarde].

Deve-se notar o fato de que o juiz que passa julgamento aqui não é Paulo, mas os falsos mestres colossenses que impõem “ordenanças” (2:20) sobre como observar essas práticas a fim de se atingir “rigor ascético”. No verso 22 ele fala que tais ordenanças são “preceitos e doutrinas dos homens” que “com o uso se destroem”. Portanto, dificilmente ele iria referir-se às leis dadas por intermédio de Moisés como “doutrinas dos homens”.

O erudito adventista até cita um outro erudito evangélico, Prof. De Lacey, que corretamente comenta sobre Cl 2:16: “o juiz provavelmente seria um homem de tendências ascéticas que objeta ao comer e beber dos colossenses. O modo mais natural de entender-se o restante da passagem não é que ele também imponha um ritual de dias festivos, mas que faz objeção a certos elementos de tal observância” (p. 182). Presumivelmente o “juiz” desejava que a comunidade observasse essas práticas numa forma mais ascética (“rigor ascético”--2:23, 21), ou, para deixar em termos mais claros: menos festa e mais jejum.

Paulo está desafiando não a validade dos festivais, mas a autoridade dos falsos mestres de “julgar”, ou seja, legislar a respeito da modalidade de suas práticas, que incluem a guarda do sábado. Para expressar doutro modo, o que Paulo está condenando não são as práticas em si, mas a perversão promovidas pelos falsos mestres.

O contexto da passagem deve ser analisada a luz dos versos anteriores onde surge "escrito de dívida".que é cravado na cruz. O termo grego para [escrito] é encontrado em Cl 2:14, que em grego é [cheirographon]. Segundo o Léxico Grego de Strong (Sociedade Bíblica do Brasil), a palavra possui os seguintes significados:

1) Manuscrito, o que alguém escreveu por sua própria mão;

2) Nota manuscrita na qual alguém reconhece que recebeu dinheiro como depositário ou por empréstimo, e que será devolvido no tempo determinado;

Desse modo, Paulo não está dizendo que a Lei de Deus ou um dia específico foi abolido, pois o termo não é sinônimo de [nomos - lei]. O que é então cravado na cruz são os relatos de nossos pecados que [era contra nós]. Esse relato é semelhante a uma nota promissória que Jesus pagou, de modo que não mais estamos em débito para com Deus e sua santa lei. Assim não estamos mais destinados a morte eterna. (Rm 6:23).

Um ponto importante é que em TODO o livro de Colossenses não há o termo grego [nomos - lei], ou seja, o tema ou objetivo aos Colossos não era a lei, não era o assunto em questão.

A lei moral assinala o pecado (Rm 3:20; 7:7) e também é uma representação do caráter [santo, justo e bom] de quem  a promulgou (Rm 7:12). Para Paulo, a lei confirmava o evangelho (Rm 3:31).

A interpretação de que “sombra” refere-se à lei de Moises, ignora os respectivos contextos de ditas passagens. Em Hebreus o termo “sombra-skia” é empregado para estabelecer uma correspondência vertical entre o santuário celeste e o terrestre, sendo o terestre uma “sombra” ou “tipo” do celeste.

Em Cl 2:17, contudo, o que antecede a “sombra” não parece absolutamente claro. O texto declara “tudo isso tem sido sombra das cousas que haviam de vir, porém o corpo é de Cristo” (Cl 2:17). A que o pronome relativo “tudo isso” (ha em grego) se refere? Acaso faz referência às cinco práticas mencionadas no verso anterior, ou às “ordenanças (dogmata) concernentes a essas práticas promovidas pelos falsos mestres?

Note-se primeiramente, que no vs. 16 Paulo não está advertindo contra os méritos ou deméritos da lei mosaica concernente a alimentos e festivais, mas contra as “ordenanças” a respeito dessas práticas, advogadas pelos falsos mestres. Destarte, é mais plausível admitir que as “ordenanças”, antes que as práticas mesmas, sejam o que antecede “tudo isso”.

Em segundo lugar, nos versos que se seguem imediatamente, Paulo prossegue sua advertência contra os ensinos enganosos, declarando, por exemplo, “Ninguém se faça árbitro contra vós outros, pretextando humildade. . .” (2:18). “Por que . . . vos sujeitais a ordenanças: Não manuseies isto, não proves aquilo, não toques aquiloutro” (2:20-21)?

Uma vez que o que precede e o que se segue a esse pronome relativo “isto tudo” trata com as “ordenanças” da filosofia colossense, concluímos que é o último item que Paulo descreve como “sombra das coisas que haviam de vir” (2:17).

Presumivelmente, os proponentes da “filosofia” colossense mantinham que suas “ordenanças” representavam uma cópia que capacitasse o crente a ter acesso à realidade (“plenitude”). Em tal caso, Paulo está fazendo o argumento deles voltar contra eles ao declarar que suas ordenanças “têm sido sombra das coisas que haviam de vir; porém o corpo é de Cristo” (2:17). Ao dar ênfase ao fato de que Cristo é o “corpo” e “cabeça” (2:17, 19), Paulo indica que qualquer “sombra” lançada pelas ordenanças não tem valor significativo.

Conclui-se que o que Paulo designa como “sombra” não é a lei mosaica ou o sábado, mas os ensinos enganosos da “filosofia” colossense que promovia práticas dietéticas e observância de tempos sagrados como meios auxiliares para a salvação. Então, parece que há duas “palavras-chave” nessa discussão:

a) o sentido de cheirographon-escrito de dívidas, e

b) de “sombra”. Sobre o primeiro termo, já discuti o suficiente para demonstrar que o sentido não é nenhum código de leis, pois estas não são CONTRA os filhos de Deus, mas os pecados registrados no escrito de dívidas. Aí, sim, faz sentido ser CONTRA nós.

Deve-se notar que o verbo no original grego está no tempo presente--”são (estin) sombra”, NÃO no passado. Muitos evangélicos alteram o verbo para o passado como sendo “eram sombras”, ou, como consta de certas versões bíblicas, “têm sido sombra”, a fim de apoiarem sua alegação de que sua função havia cessado inteiramente com a vinda de Cristo. Todavia, esse verbo no tempo presente significa que, refira-se o “tudo isso” às cinco práticas mencionadas no verso anterior ou às “ordenanças” concernentes a essas práticas promovidas pelos falsos mestres, Paulo não está pondo em disputa sua legitimidade, mas situando-as em sua apropriada perspectiva com Cristo, por meio do contraste “sombra-realidade”.

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Última atualização: 2010-07-17 18:22
Autor: Ricardo
Revisão: 1.0

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