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A palavra Shekinah


Alguns tem sugerido que derivações do verbo (shakan), pode significar uma tenda.

O interessante é que (shakan) significa algo muito maior que simplesmente uma habitação, ou alguém viver numa proximidade, ou simplesmente habitar em uma tenda. Além de todos estes significados (shakan) é um verbo cuja a raiz é precursora da palavra hebraica "Shekinah".

O vocábulo Shekinah é uma palavra que não aparece na bíblia. No entanto, este termo extra-bíblico aparece nos targuns (O nome targum é aplicado a cada uma das antigas traduções, porções do Antigo testamento hebraico para o aramaico, em benefício dos judeus que tinham esquecido o hebraico estando no exílio. Isso pode ser visto em: Champlim, Dicionário de Bíblia, Teologia e Filosofia, 6:403-404. Ver também: Geoffrey W Bromiley, Ed. The International Standard Bible Encyclopedia (Grand Rapids, Michigan: Eerdmans, 1988),4:727-733) e foi usado pelo talmude (O Talmude é uma coletânea de Preceitos rabínicos, de decisões legais e de comentários sobre a legislação mosaica para descrever a presença de Deus no mundo e especialmente em Israel.

Pode vir em questão a seguinte pergunta: Porque é necessário gastar tempo analisando-se uma palavra que nem mesmo se encontra no original hebraico? A resposta a esta pergunta pode estar no fato de que, para se entender toda a teologia hebraica da habitação de Deus é fundamental que se tenha conhecimento de como eles viam a glória de Deus. Um segundo argumento pode ser encontrado na morfologia da palavra.

Em linguagem targumica Shekinah representa a presença majestosa de Deus e Sua decisão de "habitar" (shakan) entre os homens. Esta expressão foi tomada das passagens que dizem respeito a presença de Deus na qualidade de "residente" no tabernáculo terrestre entre o povo de Israel (Ex 5:8; 29:45-46; Nm 5:3; 35:34; 1Rs 6:13; Ez 43:9; Zc 2:14).

O conceito, foi baseado no AT no meio dos Judeus Palestinos e Babilônicos que enfatizaram a imanente atividade de Deus, como opondo-se da doutrina Alexandrina de uma supramundana e extra-mundana divindade. Os Targuns utilizam as expressões "Shekinah de Yaweh", "Glória de Yaweh", e "Palavra de Yaweh" como sendo sinônimos e também se referem a "Shekinah", "glória" e "palavra" como sendo designações de Yaweh acerca de si próprio. Para evitar uma interpretação comprometedora da transcendência divina, os targumistas substituíam "Yaweh" por Shekinah. E assim, nos lugares em que Yaweh se apresenta como "habitando" em um lugar, o targum traduz assim: "Deus fez com que seu Shekinah habite ali".

Quando os israelitas se deparavam com esta palavra eles entendiam que o próprio Deus estava ali e manifestava o seu poder naquele lugar. Ou seja, eles entendiam que o Shekinah era a manifestação do próprio Deus. Nos targuns e escritos rabinicos esta é uma expressão equivalente a Deus.

Para se entender melhor a respeito deste assunto, é necessário se compreender que, a presença de Deus está claramente associada com a arca no AT. O povo hebreu constantemente associava a presença de Deus, ou seja o seu Shekinah, com a arca. Um simples exemplo disto é que quando o povo ia para uma guerra, a arca ia com eles, porque eles julgavam que ao levarem a arca estavam levando a presença de Deus consigo.

O Shekinah exprime, entre os escritores sacerdotais o modo de habitação na terra do Deus que mora nos céus. Esta palavra é de tal importância para os israelitas, que chegou a designar Deus em vez de seu nome divino respeitosamente silenciado. Os targuns primeiro usaram "Shekinah" juntamente com Yekara (glória), e memra (palavra) como uma designação para o próprio Deus em sua habitação terrestre. O targum de Onkelos, versão Aramaica do pentateuco, troca "nome" em Dt 12:5 com "Shekinah". Identifica o Shekinah com o anjo da história de Hagar (Gn 16:13) e com a face de Deus em Nm 6:25; Dt 31:18. Ele é o Shekinah que passa atrás de Moisés em Ex 34:6. O targum de Jerusalém, a versão palestina do Pentateuco, fala da glória do Shekinah de Yahweh em Lv 9:6.

Geoge A. F. Knight mostra a idéia do "Tabernáculo ou habitação da presença de Deus". O talmude também traz numerosas referências para Shekinah. Muitas referencias para o Shekinah tem origem no Haggadah, a porção não legal da literatura rabinica, e esta é aqui uma compreensiva expressão da imanência da transcendência fundamental de Deus. A presença de Deus é tão venerada que, a "presença universal de Deus é comparada a luz, uma luz mencionada para ser o sustento dos anjos". A face do Senhor muitas vezes é comparada a glória do Shekinah. A luz, o brilho divino ilumina toda a terra e sua habitação causa todo este resplendor e brilho.

Se os israelitas identificavam o Shekinah como o próprio Deus presente na terra surge o seguinte questionamento: Onde Deus habita então? Na terra ou no céu? A. R. Hulst faz a seguinte declaração: Mas o mais importante de tudo é que a particular presença de Deus é experimentada mais vividamente no Santuário, pois era ali que Deus manifestava a sua glória, no entanto Deus ainda queria mais, e o seu Shekinah no antigo Santuário apenas prefigurava o verdadeiro Shekinah, que se cumpriria no futuro. Algo que viria e que veio. A plenitude da glória de Deus. Um dia perceberemos o Shekinah com nossos próprios olhos. Aleluia!



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